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Casamento: instituição de Deus!
Junho é conhecido como o Mês dos Namorados, data em que muitos casais comemoram o amor, trocando presentes, saindo para jantar… mas, qual o propósito do namoro? E do casamento?
Na reportagem especial desta edição, trazemos importantes reflexões a respeito desses temas. Seja edificado!
Homem e mulher, ideia incrível de Deus!
De acordo com o pastor Isai Marcelo Hort, da Igreja de Deus – Ecos da Liberdade, de Marechal Cândido Rondon, uma das coisas que mais o maravilham quando pensa na criação de Deus é a ideia extraordinária que Ele teve ao criar homem e mulher. Dois seres diferentes. Duas formas de pensar. Ainda assim, Deus os criou de forma que se completam profundamente e encontram um no outro alegria, propósito e sentido. “Para mim, o casamento é um dos maiores motivos de gratidão a Deus. Tenho nele uma das grandes fontes de alegria da minha vida. Estou casado há mais de 22 anos e posso dizer com convicção: Deus foi incrivelmente sábio ao unir um homem e uma mulher para formarem uma família. É impressionante como duas pessoas tão diferentes podem, pela graça de Deus, se complementar de maneira tão maravilhosa. Quando o casamento está alinhado com o propósito de Deus, ele se torna uma experiência extraordinária. Muitas vezes o matrimônio nos faz sentir como se estivéssemos experimentando um pedaço do céu, mesmo ainda vivendo aqui na terra”, destaca.
No entanto, sabe-se que nem todos compartilham dessa mesma experiência. “Talvez você esteja lendo esse texto e tenha lembranças dolorosas relacionadas ao casamento ou à família. Talvez sua experiência tenha sido marcada por frustrações. Se este for o seu caso, é importante lembrar de algo fundamental: quando o plano de Deus é distorcido, os resultados também se tornam distorcidos. Por isso, sempre precisamos voltar ao modelo original estabelecido por Deus. A Palavra de Deus funciona como um verdadeiro manual de instruções para essa maravilhosa ‘nave’ chamada casamento: um relacionamento capaz de nos levar a lugares profundos emocionalmente, espiritualmente e afetivamente”, explica.
O pastor Isai compartilha a seguir alguns princípios bíblicos que os ajudaram a construir um casamento saudável. Confira:
O propósito do namoro é o casamento
Muitos relacionamentos já começam com um erro de perspectiva. Alguns jovens entram em um namoro pensando apenas em desfrutar da presença do outro, receber elogios, preencher carências emocionais ou até buscar satisfação física. Mas esse nunca foi o propósito do namoro.
O namoro deveria ser um tempo de conhecimento, respeito e discernimento. É o período em que duas pessoas observam uma à outra, aprendem a conviver e avaliam se estão preparadas para construir uma vida juntas diante de Deus.
O namoro não existe para satisfazer desejos momentâneos, emocionais ou sexuais. Ele existe para preparar duas pessoas para um compromisso permanente. Quando o namoro perde esse foco, ele facilmente se transforma em um caminho de frustrações.
Pureza e santidade no relacionamento
Vivemos em uma geração que banalizou completamente a sexualidade. Muitos jovens entram em relacionamentos e rapidamente se envolvem sexualmente, sem compreender as consequências emocionais e espirituais dessa decisão. A Bíblia nos orienta claramente: “Fujam da imoralidade sexual” (1 Coríntios 6:18).
Ao longo do ministério pastoral, tenho acompanhado muitos jovens lidando com um dos sofrimentos mais profundos da alma: o rompimento de um relacionamento que envolveu intimidade sexual. Quando isso acontece, frequentemente surge um sentimento doloroso de ter sido usado e depois descartado.
Deus deseja nos proteger desse tipo de ferida. A pureza no namoro é um cuidado amoroso de Deus com o coração humano. Se alguém diz que não consegue esperar, que não consegue se controlar, isso já revela algo importante sobre o caráter dessa pessoa.
Quem não consegue se controlar no namoro dificilmente saberá lidar com os desafios que surgirão no casamento: tempos de enfermidade, viagens de trabalho, períodos difíceis ou outras situações que exigirão maturidade e autocontrole. A capacidade de esperar hoje constrói segurança para o futuro.
Case-se com alguém que compartilha a mesma fé
A Bíblia é muito clara sobre isso. O apóstolo Paulo ensina: “Não se ponham em jugo desigual com os descrentes” (2 Coríntios 6:14).
E o profeta Amós faz uma pergunta simples e profunda: “Andarão dois juntos, se não houver entre eles acordo?”(Amós 3:3).
A fé é o fundamento mais profundo da vida de uma pessoa. Ela determina valores, decisões, prioridades e a maneira como enfrentamos as dificuldades. Por isso, antes de pensar em afinidades emocionais ou interesses em comum, a pergunta mais importante é: essa pessoa anda com Deus? Ela busca Jesus de verdade? Ou deseja apenas um relacionamento que a faça se sentir bem?
Quando duas pessoas caminham na mesma direção espiritual, o casamento ganha uma base sólida.
Honre e envolva sua família
Outro princípio muitas vezes ignorado hoje é a importância da família no processo de um relacionamento.
A Bíblia nos ensina: “Honra teu pai e tua mãe” (Êxodo 20:12).
Durante a juventude, é comum pensarmos que sabemos tudo e que ninguém entende melhor nossos sentimentos do que nós mesmos. Mas a verdade é que os pais normalmente possuem algo que os filhos ainda não têm: experiência. Eles já viveram mais. Já observaram relacionamentos. Já enfrentaram erros e acertos. Muitas vezes possuem um “faro” para perceber situações que os jovens ainda não conseguem enxergar.
Por isso, envolver a família e ouvir conselhos é um sinal de maturidade e sabedoria. Posso dizer isso com autoridade, pois o meu namorado e casamento com Aline tem um dedo grande da minha mãe no meio. Mas… detalhes eu conto em outra oportunidade.
O casamento é uma decisão para a vida inteira
Quando duas pessoas decidem se casar, essa escolha não deveria ser tratada como algo temporário. O casamento cristão não foi pensado para durar alguns meses ou alguns anos. Ele foi instituído como uma aliança para a vida inteira.
Jesus afirmou: “Assim, eles já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu ninguém separe” (Mateus 19:6).
Por isso, escolher com quem se casar exige muita oração, sabedoria e discernimento.
Alguns podem pensar que a ideia de um casamento para toda a vida parece pesada ou difícil. Mas a intenção de Deus nunca foi que o casamento fosse um fardo. Pelo contrário. O casamento deveria ser o lugar onde o ser humano se sente mais seguro, mais amado e mais valorizado.
No trabalho, quando você não serve mais, pode ser dispensado. Em muitos ambientes da vida, quando deixamos de corresponder às expectativas, somos substituídos. Mas na família deveria existir um lugar onde ninguém é descartado. Um lugar onde, mesmo na enfermidade, na fraqueza ou nas dificuldades, o amor permanece. É ali que encontramos algo profundamente bíblico e precioso: o amor duradouro.
Um casamento feliz é a união de dois bons perdoadores
Quero reforçar algo muito importante: o casamento pode ser o melhor lugar da face da terra. Um lugar onde realmente é possível experimentar algo parecido com o famoso “felizes para sempre”. Mas isso não significa que seja fácil.
Um casamento saudável exige trabalho, dedicação e, principalmente, perdão.
Recentemente li uma frase que me marcou muito. Ela dizia que um casamento feliz é a união de dois bons perdoadores. E isso é profundamente verdadeiro. Eu ainda diria, dois perdoadores rápidos e que não perdem tempo brigados.
Dentro de um casamento inevitavelmente surgirão falhas, mal-entendidos e momentos difíceis. Por isso, aprender a pedir perdão e a perdoar rapidamente é uma das maiores chaves para a saúde de um relacionamento.
Há um princípio que minha esposa e eu decidimos viver nesses mais de vinte e dois anos de casamento: não dormir brigados. Procuramos sempre resolver nossas diferenças antes de encerrar o dia. Não permitimos que mágoas criem raízes em nosso coração.
Além disso, buscamos valorizar um ao outro constantemente. Palavras de afirmação, elogios sinceros, tempo de qualidade e pequenos gestos de carinho fazem uma grande diferença na construção diária do amor.
Também aprendemos a proteger nossa agenda. Reservamos tempo para estarmos juntos e manter viva a chama do nosso relacionamento.
Mas existe algo ainda mais importante: nossa comunhão com Deus.
Oramos juntos. Servimos a Deus juntos. Somos apaixonados pela igreja do Senhor. Nosso casamento tem um foco muito claro: a missão que Deus nos confiou. Quando um casal compartilha uma missão, o relacionamento ganha direção. Servimos pessoas, anunciamos o evangelho e participamos da obra de Deus no mundo. E curiosamente, enquanto servimos a Deus e às pessoas, nossa própria família é fortalecida e abençoada.
Um casal precisa de propósito.
Quando marido e esposa caminham juntos na missão de Deus, o casamento ganha uma força extraordinária.
Eu desejo sinceramente que você possa experimentar um casamento feliz.
Costumo dizer algo que expressa muito bem o que sinto: minha esposa é a recompensa que Deus me dá ao final de cada dia.
A Bíblia nos encoraja a viver exatamente assim: “Desfrute a vida com a mulher que você ama, todos os dias da sua vida fugaz que Deus lhe deu debaixo do sol” (Eclesiastes 9:9).
Em meio a todas as responsabilidades, trabalhos e desafios da vida, Deus nos presenteou com algo precioso: a alegria de compartilhar a vida com alguém. O casamento deveria ser exatamente isso: um lugar onde, ao chegar em casa, encontramos descanso, alegria e companhia.
Um lugar onde marido e esposa podem desfrutar juntos deste maravilhoso projeto criado por Deus. Mas para que isso aconteça, é preciso construir o caminho corretamente:
– invista em um namoro santo,
– em um noivado cheio de propósito,
– e em um casamento firmado na graça de Deus.
Assim, você poderá experimentar aquilo que Deus sempre desejou para o matrimônio: um relacionamento cheio de vida, propósito e alegria.
Que Deus abençoe profundamente o seu casamento.
“Caminhar juntos”
De acordo com a pastora Sandra Helena Fanzlau, da Paróquia Evangélica de Confissão Luterana de Marechal Candido Rondon (IECLB), o casamento, desde sua origem, não é apenas uma construção social ou um acordo entre duas pessoas. Ele nasce no coração de Deus como uma instituição divina, um espaço sagrado onde amor, compromisso e propósito se entrelaçam. Mais do que viver ao lado de outra pessoa, o casamento é um convite a caminhar juntos, com respeito, cuidado e, sobretudo, a caminhar com Deus. “Para compreender essa dimensão profunda do matrimônio, o relato do caminho de Emaús (Lucas 24:13-35) nos oferece uma imagem belíssima e transformadora. Duas pessoas, seguidoras de Jesus, caminham lado a lado, compartilhando suas frustrações, dores e esperanças despedaçadas. Elas conversam, refletem, tentam entender o que aconteceu. Jesus torturado, morte e a esperança esvaziada. No entanto, algo essencial lhes escapa: Jesus caminha com eles, mas eles ainda não conseguem reconhecê-lo. Assim também acontece em muitos casamentos. Há momentos em que o casal caminha junto, mas carrega dúvidas, cansaço, decepções e silêncios. Momentos em que os sonhos parecem ter sido interrompidos, em que o diálogo se torna difícil e o coração pesa. Ainda assim, mesmo quando não percebido, Deus continua presente, caminhando ao lado, ouvindo cada palavra, acolhendo cada dor. E assim, também o próprio Jesus nos ensina a ouvir atentamente quem caminha conosco, em muitos momentos as crises conjugais se acentuam por falta de escuta ativa. Precisamos aprender e reaprender a ouvir atentamente o nosso cônjuge”, destaca.
Ela explica que o texto de Emaús revela uma verdade fundamental: Deus não abandona o caminho do casal, mesmo quando Ele não é reconhecido. Jesus se aproxima das pessoas seguidoras com delicadeza. Ele pergunta, escuta, permite que expressem sua dor. Depois, começa a reinterpretar a história, trazendo sentido onde antes havia confusão. No casamento, Deus também age assim. Ele entra nas conversas, nos conflitos, nos momentos de fragilidade, não para julgar, mas para restaurar. Ele ajuda o casal a ressignificar sua história, lembrando-os das promessas, do propósito e do amor que os uniu. Outro aspecto marcante do caminho de Emaús é que o reconhecimento de Jesus acontece no partir do pão, no gesto de comunhão. Isso nos ensina que Deus se revela no cotidiano do casamento: na mesa compartilhada, no cuidado diário, no perdão oferecido, na paciência exercida, nos pequenos gestos de amor. O casamento, como instituição divina, não é sustentado apenas por sentimentos, mas pela presença constante de Deus no meio do caminho”, ressalta.
“Deus está presente”
A pastora Sandra destaca que, quando o casal permite que Cristo caminhe junto, algo extraordinário acontece: o coração volta a arder. Foi isso que as pessoas seguidoras disseram: “Não estava ardendo o nosso coração quando Ele nos falava pelo caminho?”. Esse “coração ardente” é o sinal de um relacionamento que, mesmo atravessando desafios, é reacendido pela presença de Deus. Casais que caminham com Deus não estão livres de crises, mas não caminham sozinhos nelas. “O casamento, portanto, não é a ausência de dificuldades, mas a certeza de companhia. É saber que, mesmo nas estradas mais difíceis, existe um terceiro caminhante que sustenta, orienta e transforma. É permitir que Deus participe das conversas, das decisões e até dos silêncios. Assim como em Emaús, o convite continua sendo feito: ‘Fica conosco’. Quando o casal abre espaço para Deus permanecer, a casa se torna lugar de revelação, o relacionamento se fortalece e a caminhada ganha novo sentido. Para finalizar, é indispensável uma palavra clara e firme: o casamento, como instituição divina, jamais pode ser usado como justificativa para dor, opressão ou violência. O Deus que caminha com os casais é o Deus da vida, do cuidado, do respeito e da dignidade. Qualquer forma de violência física, emocional, psicológica, verbal, sexual ou patrimonial, fere profundamente o propósito de Deus para o casamento. E isso se torna ainda mais grave quando atinge mulheres e crianças, que muitas vezes são as mais vulneráveis dentro do lar. Onde há medo, humilhação e agressão, não há expressão do amor divino, há ruptura, há pecado, há necessidade urgente de intervenção”, enfatiza.
É preciso afirmar sem hesitação: permanecer em uma situação de violência não é um chamado de Deus. Silenciar diante do abuso não condiz com o Evangelho. Deus não deseja que ninguém suporte dor para manter aparências. Ele é refúgio, proteção e justiça. “O verdadeiro casamento, sustentado por Deus, é lugar de segurança, acolhimento e vida plena. Por isso, toda forma de violência precisa ser denunciada, enfrentada e interrompida. Cuidar da vida é prioridade do Evangelho. Que essa verdade seja guardada no coração: Deus caminha com casais, sim, mas nunca caminha com a violência. Onde Ele está presente, o amor protege, respeita e promove vida. Que cada casal possa reconhecer, mesmo nas estradas mais comuns da vida, que nunca caminha sozinho. Pois, ainda que os olhos não vejam, Deus está presente passo a passo, lado a lado, conduzindo o amor rumo à plenitude”, finaliza.
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