O Maio Laranja é mais do que uma campanha simbólica: é um chamado nacional para enfrentar o abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes. O dia 18 de maio, instituído como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual Infantil, representa um momento de reflexão e mobilização coletiva. Com a Lei nº 14.432/2022, a campanha passou a ser oficialmente realizada em todo o território nacional, reforçando a necessidade de ações concretas durante todo o
Vamos aos números. A importância da mobilização é evidenciada por estes dados alarmantes: estima-se que, no Brasil, três crianças sejam abusadas por hora, sendo que cerca de 51% das vítimas possuem entre 1 e 5 anos de idade. Além disso, acredita-se que apenas 7,5% dos casos cheguem a ser denunciados às autoridades, indicando que os números reais de exploração sexual são drasticamente maiores do que os registros oficiais
Além disso, um estudo sobre maternidade na adolescência no Brasil, realizado por pesquisadores do Centro Internacional de Equidade em Saúde da Universidade Federal de Pelotas (ICEH/UFPel), revelou que uma em cada 23 adolescentes entre 15 e 19 anos torna-se mãe a cada ano. Entre 2020 e 2022, mais de 1 milhão de jovens nessa faixa etária tiveram filhos. É claro, não se tratam necessariamente de abusos, mas a gravidez na adolescência não deixa de ser preocupante e merece uma atenção especial e que, muitas vezes, pode estar ligada a um ato contínuo de violência que é varrido para baixo dos panos. Pior, em alguns casos é entendida como algo “normal/cultural”.
O enfrentamento dessa violência exige a participação de toda a sociedade. A escola tem papel fundamental ao promover ações educativas que ensinam crianças e adolescentes a reconhecer situações de risco e a buscar ajuda. O poder público, por sua vez, precisa fortalecer políticas de proteção, capacitar profissionais e garantir que os canais de denúncia funcionem de forma eficiente. Entre esses canais, o Disque 100 permanece como um importante instrumento para dar voz a quem precisa de proteção.
No entanto, nenhuma política pública será suficiente sem o envolvimento direto da comunidade. Pais, responsáveis, educadores e cidadãos em geral precisam estar atentos aos sinais, ouvir com sensibilidade e agir sempre que houver suspeita. Combater a violência sexual contra crianças e adolescentes não é tarefa exclusiva das autoridades — é um dever coletivo.
O Maio Laranja nos convida a romper o silêncio e assumir uma postura ativa. Proteger crianças e adolescentes é garantir que tenham o direito de crescer com dignidade, segurança e respeito. Mais do que lembrar uma data, é preciso transformar consciência em atitude e fazer do combate à violência sexual um compromisso permanente de todos nós.