Em 1995, uma mulher decidiu adotar um filhote de chimpanzé e lhe deu o nome de Travis. O macaquinho não era um bicho comum; ele virou o xodó da casa. Usava roupinhas sob medida, sentava-se à mesa para jantar com a família, escovava os dentes e até aprendeu a abrir portas sozinho. Os vizinhos diziam que era um exemplo de docilidade. Por longos 14 anos, ele foi o animal de estimação dos sonhos, incapaz de fazer mal a uma mosca. Em 2009, sem o menor sinal de aviso, a natureza selvagem de Travis despertou com fúria. Num ataque brutal e devastador, ele desfigurou uma amiga da família, deixando marcas terríveis antes de ser contido.
Sabe o que é assustador? Nós fazemos exatamente a mesma coisa com os nossos desvios espirituais, também conhecidos como “pecados de estimação”. Nós pegamos aquele “pecadinho”, colocamos uma roupa bonita nele e o convidamos para sentar à nossa mesa. Criamos desculpas confortáveis para justificá-lo: “Ah, é só o meu temperamento forte”, “Todo mundo faz isso hoje em dia” ou “É só um hábito bobo para desestressar”.
Essas falhas secretas são especialistas em camuflagem. Elas raramente chegam fazendo barulho; pelo contrário, instalam-se de mansinho na nossa rotina vestidas de comportamentos comuns, tais como:
- O pavio curto e as explosões de humor: Aquela facilidade assustadora de perder as estribeiras por qualquer bobagem ou imprevisto do cotidiano.
- O vício de reclamar e falar dos outros: A murmuração que vira trilha sonora ou aquela fofoca camuflada de “desabafo” ou “pedido de oração”.
- A vaidade mascarada de santidade: Aquele orgulho silencioso que nos faz olhar os outros de cima para baixo.
- As “mentirinhas de conveniência”: Os pequenos blefes, omissões e exageros que usamos para nos safar de saias justas sem peso na consciência.
- A moleza e a preguiça: A procrastinação crônica, a preguiça disfarçada de cansaço e o desleixo com os compromissos e com as pessoas que dependem de nós.
O problema é que esquecemos que a essência do pecado é, e sempre será, a destruição. Esse erro que você alimenta está apenas esperando o seu momento de maior fragilidade para saltar do escuro e despedaçar a sua reputação, sabotar a sua paz e romper a sua intimidade com Deus. Os pequenos desvios abrem brechas espirituais e facilitam a queda em outros pecados. Por isso, fica o aviso: não importa o quanto você tente, nunca será possível transformar um predador em um bicho de colo. Se você não governar estes pecados hoje, eles governarão o seu destino amanhã; a verdadeira liberdade começa quando paramos de dar desculpas para aquilo que Deus nos deu poder para vencer.
“Sejam praticantes da palavra, e não apenas ouvintes, enganando-se a si mesmos. […] Mas o homem que observa atentamente a lei perfeita que traz a liberdade, e continua nela, não esquecendo o que ouviu, mas praticando-o — este será feliz no que fizer.” (Tiago 1.22 a 25)